No dia 13 de agosto de 2026, chegou aos cinemas Rio de Clarice, um longa-metragem que reúne adaptações cinematográficas de cinco dos principais contos da autora ucraniana, naturalizada brasileira, Clarice Lispector. A escritora é conhecida pelo seu estilo introspectivo e único, buscando sempre provocar a reflexão nos leitores por meio da ‘’dissecação’’ psicológica e mental de seus personagens, trazendo à tona seus pensamentos, medos e ansiedades.
Porém, mais do que exaltar o brilhantismo de Clarice, o filme inova por experimentar um formato não tão comum na indústria cinematográfica: a presença de várias histórias não ligadas entre si, dirigidas por pessoas totalmente diferentes.
Por mais que a obra de Clarice Lispector não seja tão estranha a adaptações cinematográficas, tendo alguns de seus principais livros ‘’transcritos’’ para a sétima arte, como A Hora da Estrela (1985) e A Paixão Segundo G.H (2023), todos os contos de Rio de Clarice são dirigidos por mulheres. Trata-se de um marco muito importante, que coincide com o ressurgimento da popularidade do cinema nacional nos últimos anos, impulsionado pelo sucesso mundial de Ainda estou aqui (2024) e Agente Secreto (2025).
Desde seus primeiros trabalhos, Clarice sempre deu voz a personagens femininas, sejam elas uma faceta de seu próprio ser ou uma antítese de um de seus inúmeros lados. O fato é que, como vários grandes escritores, Clarice coloca muito de si em sua obra, e é de suma importância que artistas de todo o país tenham oportunidade e recursos para se expressar de modo semelhante.
Falando em aspectos mais técnicos, o projeto foi comandado pelas diretoras Maria Luiza Aboim, Eunice Gutman, Nicole Algranti, Taciana Oliveira e Barbara Kahane, que trazem para a telona os contos ‘’Feliz Aniversário’’, ‘’Mal-estar de um anjo’’, ‘’A Bela e a Fera’’, ‘’Amor’’ e ‘’Preciosidade’’. O trabalho também foi acompanhado por Teresa Montero, biógrafa de Clarice.
Passeando por temas como a velhice, a desigualdade social, as autodescobertas e as epifanias, o filme promete tirar o melhor de cada fração da literatura clariceana e, assim como em seus livros, deixar o espectador espantado com a franqueza de suas histórias.
