Pequeno Guia do Astrônomo Amador: dicas para a observação do céu noturno

Chega junho, mês de festa, alegria, cores vibrantes, muita comida e música.
Mas em meio a tanta agitação, consegue se lembrar qual foi a última vez que parou e olhou o céu?
Foi pensando nisso que nós, do Buraco de Minhoca, decidimos criar…

1Consulte as condições de observação

Escolha uma noite límpida. Num geral, as melhores noites para observar o céu tendem a ser as mais frias por estarem associadas a atmosferas menos turbulentas e enevoadas.

Também é essencial, para uma melhor observação, buscar um lugar com pouca poluição luminosa. Quanto mais escuro, melhor.

2O céu a vista desarmada

A completa adaptação à escuridão poderá demorar uma hora. À medida que as pupilas se forem dilatando e os fotorreceptores ganharem sensibilidade, verá cada vez mais estrelas. Procure diferenças de cor e de brilho entre elas

Veja quantas das sete plêiades consegue observar e tente encontrar a faixa de estrelas do disco da Via Láctea. Fique atento para observar o movimento lento dos satélites que giram continuamente à volta da Terra e não deixe de prestar atenção aos meteoritos que, por vezes, cruzam inesperadamente o céu.

3Localize-se

Conheça a sua própria localização, pois aquilo que verá vai depender tanto da sua posição no mundo como da posição da Terra ao longo da sua trajetória em torno do Sol. O céu muda com as estações. As galáxias e as estrelas distantes, incluindo o Sol, deslocam-se em ciclos sazonais previsíveis

O caminho percorrido pela Terra na sua órbita em volta do Sol é elíptico e muitos planetas do nosso céu seguem trajetórias semelhantes. Isto acontece porque o Sistema Solar é relativamente plano, tendo-se formado a partir de um disco de gás e poeira em rotação.

4Cartografia de um mar de estrelas

Os astrônomos organizam o céu recorrendo a um sistema de coordenadas muito parecido com aquele que usamos na Terra.

Pense no céu noturno como uma esfera oca, onde estão coladas todas as estrelas. O equador celeste dessa esfera coincide com o equador terrestre e os polos com os polos terrestres.

A posição de determinado corpo nessa esfera define-se através de duas coordenadas:

  • Declinação: indica a que distância se encontra determinado corpo do equador celeste, seja acima ou abaixo, tal como a latitude geográfica terrestre.
  • Ascensão reta: equivale à longitude terrestre e indica a posição de um corpo relativamente a um círculo norte-sul, de polo a polo, que se define como zero graus.

Alguns mapas estelares incluem estas coordenadas, mas não todos. Como sempre, a sua visão da esfera vai depender inteiramente da sua posição terrestre, daí a importância de conhecer a sua própria latitude quando consultar um mapa estelar.

5Chamando as estrelas pelo nome

Antigamente, cada civilização dava os seus próprios nomes aos corpos celestes que observava. Muitas dessas designações resistiram ao tempo, razão pela qual hoje temos estrelas como Aldebarã (“aquela que vem a seguir” às Plêiades), Algol (“estrela endemoninhada”), Betelgeuse (“Ombro de gigante”), ou Sadalmelek (“Sorte do rei”). Em prol da simplicidade, hoje em dia as estrelas recebem designações numéricas.

Alguns objetos astronômicos possuem, um nome comum ou histórico e uma designação de catálogo. A nebulosa do Caranguejo, por exemplo, é também conhecida como M1, pois foi o primeiro objeto registrado por Charles Messier no seu catálogo de 1771.

Os tesouros do céu noturno estão entre os poucos bens que todos os habitantes da terra, sem excepção, podem contemplar gratuitamente. Basta sair de casa e erguer os olhos.

Por isso, hoje a noite…

“Olha pro céu, meu amor e veja como ele está lindo”